Meu colega e amigo Alcebíades:
Na noite insone e solitária de um CTI, cortado o silêncio de quando em vez pelos sinais sonoros dos aparelhos ligados aos pacientes, recusava-se minha mente a entregar-se ao abandono de um ócio total, tão acostumada a manter-se permanentemente viva e agitada em busca de criar situações, costurar ações e perseguir idéias a preencher e ver realizar os sonhos e esperanças com que sempre me cerquei.
Associações de fatos logo antes ocorridos vieram fluindo e se encaixando pela rememoração dos mesmos e observação dos movimentos tímidos à minha volta da equipe em vigília naquele espaço de recuperação. E, daí, a extração de lições e a formulação desta página em que agora me proponho a homenagear um amigo e colega, o mais que acima de tudo mestre Alcebíades.
A primeira delas, a lição do amor. E vi as enfermeiras e outras auxiliares na sua agenda árdua e cansativa se sucedendo nos turnos e se multiplicando nas mais comezinhas tarefas, sempre fazendo do paciente o objeto de sua atenção e carinho, sem se deixar trair por um desgosto por acaso existente em sua vida pessoal, em seu cansaço, imagens permanentes de dedicação e zelo pela sua missão de trazer confiança e esperanças aos delas necessitados.
A segunda, a do desempenho profissional criterioso e sério. E vi o corpo clínico, médicos, terapeutas, laboratoristas, cada um a cada momento se acercando daqueles a seus cuidados, com o mesmo gesto de amor, disseminado, mas perceptível na fisionomia indagadora e gestora dos sintomas expostos ou pesquisados, representando legitimamente a profissão abraçada, a buscar nas lições aprendidas nos anos de Escola e de trabalho diário as soluções almejadas à cura das deficiências postas à sua dedicação.
Finalmente, a terceira, na figura do mestre a comandar as operações, líder maior de toda a equipe, encarnando em si a essência dos ensinamentos coletados desde Galeno, do qual se via emanar a segurança e a mesma aura de conhecimento e ternura a envolver todos em sua esfera de atuação, comandados e pacientes.
E, foi assim, que, na noite insone, a peregrinação do pensamento pelo que me circundava me levou num átimo à cobrança interna do que me propusera fazer em outra noite em que o colega e amigo receberia as homenagens pelo seu sacerdócio na cátedra. E, em um instante, vi, nas fixações levantadas, uma identidade comum, a mesma cadeia de ligações nas diversas etapas ou níveis da Engenharia e quiçá o mesmo se dê com as diversas Ciências que o homem formulou.
E vi a figura do Mestre, infelizmente tão pouco reverenciada neste País, tão necessário se faz se desponte e projete da própria plêiade de professores que labutam a tempo integral nas salas e laboratórios das universidades, figura líder que pontifica no topo desta cadeia de profissionais e artífices a construir o desenvolvimento das sociedades em todo o Mundo.
E o amor com que um humilde pedreiro coloca na busca de perfeição que quer ver num simples alinhamento de tijolos, tornando por isto uma obra mais que bem acabada, é o mesmo amor que vem dos engenheiros que o comandam no dia a dia a designar e acompanhar tarefas, o mesmo amor que um dia o mestre lhes transmitiu no entusiasmo com que discorria sobre as teorias, equações, problemas e soluções a formar as cabeças desejosas de conhecer e aprender as artes da profissão escolhida. E este o amor que sempre víamos no colega Alcebíades, a discorrer com excitação problemas resolvidos no decorrer das aulas.
E o profissionalismo e a ética, características essenciais no desempenho das atividades que o diploma nos confere, transforma-nos, engenheiros, na aplicação prática dos ensinamentos recebidos em representação legítima da ciência maior que adotamos para desbravar, assimilar e desenvolver na busca dos ideais maiores de cidadãos em plenitude que somos. E assim também vamos encontrar o colega e amigo a respeitar o título conquistado e a difundir as excelências da Engenharia mòrmente entre aqueles iniciantes do trajeto pretendido,
Mas eis que se faz necessária a figura do Mestre, na atividade que vai prolongar pelos séculos a salvaguarda de todo o conceito científico acumulando-se ao longo dos tempos. Enquanto, com amor, desenvolvemos nossa atividade, enquanto com profissionalismo representamos a Engenharia que abraçamos, resta a uns poucos a missão gloriosa de se integrarem no conjunto dos que colocam acima de seus interesses imediatos a delicada missão de fazer com que os ensinamentos trazidos ao longo dos tempos se espalhem entre os novos proponentes a utilizá-los. Nada adianta somente recolher na frieza dos compêndios e computadores o conhecimento científico acumulado pela humanidade, indispensável o ser humano a introduzir sua explicação direta dos mesmos, a fazê-los se acompanhar do entusiasmo e da alegria que o saber traz á alma e desperta a vontade á inovação e ao avanço da erudição. E aí, pontificando entre nós, surge a amiga presença do colega Alcebíades, em que sempre vimos, mais que uma representação a própria encarnação da Engenharia e que, hoje, com a maior justiça, se laureia com o título de Professor Emérito.
E é por isto que, representando uma associação de profissionais de todos os ramos da Engenharia, pelo cargo que me conferiram de direção na Sociedade Mineira de Engenheiros, mas assumindo com alegria a particularidade de ter cursado com ele os bancos universitários e estar com ele entre esta turma sempre unida e vitoriosa de 1962,
Venho trazer-lhe nesta noite memorável nossa saudação, nossa admiração e o mais entusiasmado de nossos aplausos.
Associações de fatos logo antes ocorridos vieram fluindo e se encaixando pela rememoração dos mesmos e observação dos movimentos tímidos à minha volta da equipe em vigília naquele espaço de recuperação. E, daí, a extração de lições e a formulação desta página em que agora me proponho a homenagear um amigo e colega, o mais que acima de tudo mestre Alcebíades.
A primeira delas, a lição do amor. E vi as enfermeiras e outras auxiliares na sua agenda árdua e cansativa se sucedendo nos turnos e se multiplicando nas mais comezinhas tarefas, sempre fazendo do paciente o objeto de sua atenção e carinho, sem se deixar trair por um desgosto por acaso existente em sua vida pessoal, em seu cansaço, imagens permanentes de dedicação e zelo pela sua missão de trazer confiança e esperanças aos delas necessitados.
A segunda, a do desempenho profissional criterioso e sério. E vi o corpo clínico, médicos, terapeutas, laboratoristas, cada um a cada momento se acercando daqueles a seus cuidados, com o mesmo gesto de amor, disseminado, mas perceptível na fisionomia indagadora e gestora dos sintomas expostos ou pesquisados, representando legitimamente a profissão abraçada, a buscar nas lições aprendidas nos anos de Escola e de trabalho diário as soluções almejadas à cura das deficiências postas à sua dedicação.
Finalmente, a terceira, na figura do mestre a comandar as operações, líder maior de toda a equipe, encarnando em si a essência dos ensinamentos coletados desde Galeno, do qual se via emanar a segurança e a mesma aura de conhecimento e ternura a envolver todos em sua esfera de atuação, comandados e pacientes.
E, foi assim, que, na noite insone, a peregrinação do pensamento pelo que me circundava me levou num átimo à cobrança interna do que me propusera fazer em outra noite em que o colega e amigo receberia as homenagens pelo seu sacerdócio na cátedra. E, em um instante, vi, nas fixações levantadas, uma identidade comum, a mesma cadeia de ligações nas diversas etapas ou níveis da Engenharia e quiçá o mesmo se dê com as diversas Ciências que o homem formulou.
E vi a figura do Mestre, infelizmente tão pouco reverenciada neste País, tão necessário se faz se desponte e projete da própria plêiade de professores que labutam a tempo integral nas salas e laboratórios das universidades, figura líder que pontifica no topo desta cadeia de profissionais e artífices a construir o desenvolvimento das sociedades em todo o Mundo.
E o amor com que um humilde pedreiro coloca na busca de perfeição que quer ver num simples alinhamento de tijolos, tornando por isto uma obra mais que bem acabada, é o mesmo amor que vem dos engenheiros que o comandam no dia a dia a designar e acompanhar tarefas, o mesmo amor que um dia o mestre lhes transmitiu no entusiasmo com que discorria sobre as teorias, equações, problemas e soluções a formar as cabeças desejosas de conhecer e aprender as artes da profissão escolhida. E este o amor que sempre víamos no colega Alcebíades, a discorrer com excitação problemas resolvidos no decorrer das aulas.
E o profissionalismo e a ética, características essenciais no desempenho das atividades que o diploma nos confere, transforma-nos, engenheiros, na aplicação prática dos ensinamentos recebidos em representação legítima da ciência maior que adotamos para desbravar, assimilar e desenvolver na busca dos ideais maiores de cidadãos em plenitude que somos. E assim também vamos encontrar o colega e amigo a respeitar o título conquistado e a difundir as excelências da Engenharia mòrmente entre aqueles iniciantes do trajeto pretendido,
Mas eis que se faz necessária a figura do Mestre, na atividade que vai prolongar pelos séculos a salvaguarda de todo o conceito científico acumulando-se ao longo dos tempos. Enquanto, com amor, desenvolvemos nossa atividade, enquanto com profissionalismo representamos a Engenharia que abraçamos, resta a uns poucos a missão gloriosa de se integrarem no conjunto dos que colocam acima de seus interesses imediatos a delicada missão de fazer com que os ensinamentos trazidos ao longo dos tempos se espalhem entre os novos proponentes a utilizá-los. Nada adianta somente recolher na frieza dos compêndios e computadores o conhecimento científico acumulado pela humanidade, indispensável o ser humano a introduzir sua explicação direta dos mesmos, a fazê-los se acompanhar do entusiasmo e da alegria que o saber traz á alma e desperta a vontade á inovação e ao avanço da erudição. E aí, pontificando entre nós, surge a amiga presença do colega Alcebíades, em que sempre vimos, mais que uma representação a própria encarnação da Engenharia e que, hoje, com a maior justiça, se laureia com o título de Professor Emérito.
E é por isto que, representando uma associação de profissionais de todos os ramos da Engenharia, pelo cargo que me conferiram de direção na Sociedade Mineira de Engenheiros, mas assumindo com alegria a particularidade de ter cursado com ele os bancos universitários e estar com ele entre esta turma sempre unida e vitoriosa de 1962,
Venho trazer-lhe nesta noite memorável nossa saudação, nossa admiração e o mais entusiasmado de nossos aplausos.
